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Relatório da OCDE aponta as competências essenciais para o mundo do trabalho

Estudos/Pesquisas

  Relatório “OECD Skills Outlook 2025” aponta quais competências são decisivas para ampliar oportunidades educacionais entre os jovens

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) se dedicou a pensar quais seriam as competências-chave para o crescimento econômico e bem-estar social no século XXI, considerando os desafios da atualidade diante das constantes mudanças e inovações tecnológicas. Em seu relatório OECD Skills Outlook 2025 (Perspectivas de Competências da OCDE 2025, em tradução livre), divulgado em dezembro de 2025, foram analisados dados de pesquisas realizadas em 31 países, com o objetivo de  identificar as competências que devem ser aprimoradas entre os jovens para reduzir desigualdades e garantir sua capacidade de adaptação às transformações ao longo da vida. 

Entre as competências centrais destacam-se a leitura, a interpretação de texto e a escrita, fundamentais para a compreensão de informações ao longo da vida e para a adaptação às inovações tecnológicas. A matemática também merece atenção, por sua relevância em áreas como programação, inteligência artificial e automação. A resolução adaptativa de problemas foi igualmente apontada como especial, por permitir o ajuste a novas condições e aos desafios que delas decorrem. Por fim, habilidades socioemocionais completam o conjunto de competências destacadas, ao contribuírem para a cooperação, a convivência em sociedade e o trabalho colaborativo. 

O relatório da OCDE aponta que essas quatro competências estão distribuídas de forma desigual entre os jovens, sendo fortemente influenciadas por fatores como origem socioeconômica, escolaridade dos pais e território. Essas desigualdades tendem a se aprofundar ao longo da trajetória educacional, especialmente após a conclusão do ensino básico. Nesse contexto, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) se apresenta como uma alternativa estratégica para ampliar oportunidades educacionais e reduzir barreiras de acesso à qualificação. 

“Ao oferecer um caminho estruturado entre etapas escolares e mundo do trabalho, a EPT se consolida como uma ferramenta de inclusão produtiva das juventudes, contribuindo para a redução dos índices de desemprego e subemprego, além de promover o desenvolvimento de habilidades socioemocionais quando aplicada de forma qualificada,” afirma Cacau Lopes da Silva, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Implementação do Itaú Educação e Trabalho. 

Outro aspecto relevante destacado pela OCDE é a importância da orientação educacional e profissional. Jovens de grupos socialmente menos favorecidos tendem a ter menos acesso a informações qualificadas sobre percursos formativos e possibilidades de carreira, o que impacta diretamente suas trajetórias educacionais. A ampliação da EPT, aliada a políticas de orientação, contribui para escolhas mais informadas e para a valorização dos diferentes itinerários formativos. 

De acordo com o OECD Skills Outlook 2025, países que investem em sistemas educacionais flexíveis, com oportunidades de aprendizagem ao longo da vida e reconhecimento de competências, conseguem reduzir desigualdades e aproveitar melhor o potencial de seus jovens. Nesse cenário, a Educação Profissional e Tecnológica se consolida como um eixo fundamental para articular educação, trabalho e desenvolvimento social, fortalecendo seu papel nas políticas educacionais contemporâneas.