Evento organizado em São Paulo reuniu gestores de 18 estados para trocar experiências sobre aproximação das juventudes com o mundo do trabalho

O Itaú Educação e Trabalho realizou, nos dias 12 e 13 de novembro, em São Paulo, o segundo encontro com estados parceiros da organização para promover troca de experiências e aprendizados sobre as políticas estaduais de Educação Profissional e Tecnológica (EPT), especialmente naquelas voltadas à inclusão produtiva de jovens. O encontro contou com com a presença de organizações relevantes do setor, como a Secretaria de Inspeção do Trabalho (MTE), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundação Roberto Marinho, Instituto Sonho Grande, Juventudes Potentes e Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), além da participação de representantes de 18 estados: Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocantins e Sergipe.
Na abertura, Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, reforçou que a formulação e implementação das políticas públicas de EPT pertencem aos estados, enquanto o terceiro setor tem a missão de apoiar esse processo. “Diante de um sistema que recebe 35 milhões de estudantes todos os dias, a colaboração entre estados e organizações da sociedade civil é indispensável. Dá mais trabalho, mas produz resultados mais potentes, porque pactuamos valores e construímos soluções de forma conjunta. Hoje, mais de nove milhões de jovens estão fora da escola, segundo dados da PNAD, e uma pesquisa do Itaú Educação e Trabalho com a Fundação Roberto Marinho mostrou que 73% deles querem concluir a educação básica e voltar a estudar, desde que a escola faça sentido para suas vidas e para o mundo do trabalho. Reencantar a escola é urgente”, afirmou Saron.
Kaio Cavalcante, coordenador pedagógico da Subcoordenadoria de Educação Profissional (SUEP) do Rio Grande do Norte, participou do encontro e destacou duas iniciativas de inclusão produtiva que estão sendo implementadas para os estudantes da rede estadual. “Hoje temos 17.500 estudantes matriculados na rede estadual de ensino, com 130 instituições ofertando 18 cursos técnicos e ampliando as oportunidades de inclusão produtiva para os jovens. Temos avançado tanto no estágio curricular — que, mesmo não obrigatório, envolve cerca de 650 de estudantes em experiências reais de trabalho, vinculadas à iniciativa privada — quanto no Programa Aprendiz Potiguar, nosso programa de aprendizagem profissional, que está em expansão e é desenvolvido em parceria com o Itaú Educação e Trabalho e a FGV. São iniciativas que aproximam nossos jovens do setor produtivo e fortalecem sua formação técnica”, explicou no evento.
Outra experiência inspiradora apresentada vem do Ceará, onde o estágio curricular é obrigatório, como contou Jeane Noronha, coordenadora regional de desenvolvimento da educação do Ceará. Segundo ela, parte do currículo do ensino médio articulado com a educação profissional é remunerado e garante que o estudante coloque em prática tudo o que aprende na escola. “Nosso estágio qualifica os jovens, fortalece as empresas que os recebem e impulsiona a economia dos municípios. Também é uma estratégia poderosa para redução da evasão escolar, especialmente para estudantes de contextos mais vulneráveis, pois oferece formação técnica, oportunidade e renda”, contou ela. “A experiência do Ceará mostra que investir em Educação Profissional e Tecnológica dá resultado e, por isso, defendemos que ela seja tratada como prioridade de governo em todos os estados”, defendeu.
O encontro com gestores estaduais de educação para discutir ações e boas práticas em EPT será retomado em 2026, ainda sem programação definida.