Em dois dias em Campo Grande, gestores estaduais debateram fluxos, governança e equipes a fim de aperfeiçoar suas ofertas
Uma ação de intercâmbio e troca de ideias de dois dias conduzida pela equipe do Itaú Educação e Trabalho (IET), em uma escola em Campo Grande (MS), permitiu o encontro de gestores da Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul (Seduc-RS) e da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED-MS) para discutirem seus programas estaduais de aprendizagem profissional.
A aprendizagem profissional é importante para os jovens porque significa uma ponte entre a escola e o mundo do trabalho, em uma experiência profissional com direitos garantidos, formação teórica e acompanhamento. O encontro proporcionou momentos de enriquecimento de repertório e de aprendizado mútuo sobre desafios de implementação e gestão, funcionando como um exercício formativo para os dois estados.
A ideia de promover uma missão do Rio Grande do Sul – que implementa o programa Partiu Futuro, criado em 2023 – para conhecer de perto o trabalho e os desafios dos gestores do Mato Grosso do Sul – que desenvolvem o Programa de Aprendizagem Profissional (PAP) desde 2022 – surgiu durante uma reunião do IET com a equipe do Rio Grande do Sul, a quem o PAP foi apresentado, e teve apoio e autorização da Superintendência da Educação Profissional.
Na visita a Campo Grande, a equipe do Rio Grande do Sul, composta também por representantes do Conselho Estadual de Educação, tinha o objetivo de compreender como está estruturado e como funciona o PAP no Mato Grosso do Sul – sobretudo o PAP no tempo integral, que ainda é um desafio de implementação em muitas redes estaduais – e entender seus fluxos e sua operacionalização realizada pela equipe da Coep (Coordenadoria de Educação Profissional) no Mato Grosso do Sul.
Para isso, a equipe do IET articulou previamente uma agenda específica, com perguntas orientadoras, e procurou detalhar o PAP (apresentação de estrutura, consulta à matriz curricular etc.) e promover experiências diversas durante o intercâmbio, como visita pela escola, o CEEP (Centro Estadual de Educação Profissional) Hércules Maymone, escuta a uma professora e a um coordenador do PAP, além de quatro estudantes que participam do programa, cujos relatos mostraram os impactos positivos do PAP na vida, nas ambições e nas perspectivas de futuro dos jovens.
O contato com a equipe do Mato Grosso do Sul ajudou a equipe do Rio Grande do Sul a entender melhor as reais necessidades de equipes para gerir esse tipo de programa, de coordenação nas escolas e de acompanhamento in loco dos jovens e das empresas parceiras. Após o encontro, os gestores do Rio Grande do Sul passaram a utilizar ainda mais documentos e estratégias do Mato Grosso do Sul como referência, especialmente na criação de materiais de apoio para orientar as empresas que contratam os jovens aprendizes.
Outro avanço importante após o intercâmbio foi a retomada da articulação da equipe do Rio Grande do Sul com a Secretaria Regional do Trabalho, que é estratégica para destravar burocracias e fortalecer a política de aprendizagem profissional no estado. Além disso, ficou clara a necessidade de articulação intersetorial e de relações de confiança e parceria entre secretarias, Ministério do Trabalho e empresas para que a política pública de aprendizagem profissional funcione melhor.
“A visita possibilitou um espaço qualificado de diálogo, observação e troca de experiências entre redes estaduais que operam a aprendizagem profissional e contribuiu para a identificação de inspirações e soluções para o aprimoramento e a expansão do programa Partiu Futuro, especialmente no que se refere à gestão, à governança, às equipes e fluxos e ao acompanhamento dos jovens e das empresas parceiras”, observa Lisandra Maria Rodrigues Machado, analista em educação da Superintendência da Educação Profissional no Rio Grande do Sul. Segundo ela, merecem destaque no programa sul-mato-grossense a formação de coordenadores, a figura do coordenador de aprendizagem, a relação com os órgãos reguladores e a integração com o Ensino Médio em Tempo Integral.
Paula Pantalena, coordenadora do PAP no Mato Grosso do Sul, relata que todo intercâmbio de experiências traz aprendizados que ajudam na execução das tarefas, seja por uma nova dinâmica ao executá-las, seja por um olhar diferente nas questões pedagógicas ou até mesmo na forma como os gestores interagem entre si. “Esse encontro foi entre dois estados que executam a aprendizagem profissional de maneiras diversas, e é sempre muito válido e produtivo esse tipo de troca, pois normalmente as aprendizagens são mútuas e os resultados auxiliam na elaboração de novas diretrizes e no desenvolvimento das atividades de qualquer programa realizado pelas secretarias de educação”, relata Paula.
“Essa experiência mostrou que o compartilhamento de soluções entre estados pode contribuir para otimizar tempo e recursos, além de qualificar a implementação das políticas, mitigando erros. Ficou evidente também que a articulação em rede entre os estados é algo estratégico para ampliar capacidades técnicas, promover aprendizado mútuo, estimular a inovação, melhorar a eficiência e fortalecer as políticas de aprendizagem profissional”, avalia Karen Carvalho Rosaboni, analista de Implementação do IET.