Estudo do Itaú Educação e Trabalho revela EPT com equidade racial nos estados brasileiros

De acordo com dados do estudo “Democratização da EPT no Brasil: Análise sobre a oferta considerando raça, gênero, condição socioeconômica e local de residência”, do Itaú Educação e Trabalho, a oferta de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) entre diferentes raças está em relativo equilíbrio no país.
O indicador usado para medir a equidade de acesso à EPT na pesquisa é o Índice de Representação Descritiva (IRD), em que o valor 0 é considerado o equilíbrio total. Valores entre 10 e -10 são equilíbrio relativo, entre 10 e 30 (ou -10 e -30) são considerados desequilíbrios pequenos; entre 30 e 50 (ou -30 e -50), desequilíbrios médios; e valores acima de 50 (ou abaixo de -50) desequilíbrios altos. Valores positivos tratam de sobrerrepresentação e negativos de sub-representação.
Analisando pela perspectiva racial, o IRD apresentado nas matrículas da rede privada e pública é de -5,1 no país, o que é considerado um nível de equilíbrio relativo. Com isso, é possível afirmar que a EPT está sendo acessada como oportunidade de ensino e avanço no mundo do trabalho por brancos, negros, indígenas e amarelos de forma relativamente igualitária.
Ao analisar a oferta de EPT apenas da rede pública, o IRD é maior, chegando ao número -9,5. No entanto, tal patamar ainda se enquadra na categoria de equilíbrio relativo.
Ainda que os dados sejam positivos, a superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Ana Inoue, destaca que é importante que os dados da pesquisa sejam norteadores da expansão da EPT no país, para tornar essa oferta ainda mais alinhada com a equidade racial. “Há aqui uma oportunidade para que a EPT possa efetivamente reverter o fluxo das desigualdades das juventudes, transformando-se em um vetor real de transformação que promova o desenvolvimento social e econômico do país,” assina em sua coluna “Desigualdades e educação profissional” no Valor Econômico.
Resultados por região
A região Sudeste do país tem o pior resultado de equidade por raça, registrando um IRD de -15,7. O segundo pior é o da região Norte, com IRD geral de -13,8. A região Centro-Oeste apresenta o valor de -6,6 e a região Sul de -5,7. O melhor resultado é do Nordeste, com -4,2.
Olhando novamente apenas para a rede pública, a região com maior desequilíbrio de oferta por raça dos estudantes, ainda que considerado leve, é a Centro-Oeste com -12,9. Atrás dela, estão as regiões Norte, Sul e Nordeste, com IRD de -6,2, -5,2 e -4,2, respectivamente. No ensino público, a região com IRD que mais se aproxima do equilíbrio total é a Sudeste, com o valor de -1,5.
Eixos tecnológicos
O estudo mostra, ainda, que a representação racial não está presente em todos os eixos tecnológicos de cursos oferecidos pela Educação Profissional e Tecnológica. O eixo de desenvolvimento educacional e social apresenta um IRD de 52, considerado um valor de desequilíbrio alto, indicando que há uma sobrerrepresentação de pessoas negras na categoria. Também são sobrerepresentados nas áreas de segurança (26,3), ambiente e saúde (14,4) e turismo, hospitalidade e lazer (10,4).
Por outro lado, também existem eixos em que o grupo racial está subrepresentado, entre eles o de produção industrial (-25,3), controle e processos industriais (-21,9) e produção cultural e design (-15).
A EPT está expandindo como modalidade de ensino no país a partir de políticas públicas que buscam ampliar sua oferta de forma a capacitar mais pessoas ao mundo do trabalho. O estudo feito pelo IET, nesse contexto, é um guia valioso como norte de como a implementação deve ser efetivada para, cada vez mais, estar alinhada com a equidade racial, garantindo que todos tenham oportunidades de educação independentemente de sua raça.