Catálogo Nacional de Cursos Técnicos traz 216 sugestões diferentes de formação na educação profissional de nível médio

Os cursos técnicos, enquanto possível porta de entrada das juventudes para o mundo do trabalho, são um universo amplo que pode oferecer formações bem variadas, curiosas e pouco usuais, que vão muito além da qualificação tradicional para atuação no setor industrial, como ocorria no início do século 20, quando o ensino técnico teve início no Brasil.
O Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), documento público periodicamente atualizado que organiza os cursos de educação profissional técnica de nível médio no país, lista 216 cursos técnicos existentes. Entre eles, encontram-se cursos de naturezas distintas, como técnico em Libras, jogos digitais, lazer, cartografia, ourivesaria, artes circenses, regência, cenografia, entre outros.
Atualmente, o CNCT divide os cursos por treze eixos tecnológicos. O eixo de Ambiente e Saúde, por exemplo, conta com cursos tão diferentes como técnico em imagem pessoal, necropsia, reabilitação de dependentes químicos, cuidador de idosos e terapias holísticas.
Formações técnicas em alimentação escolar, tradução e interpretação de Libras, treinamento e instrução de cães-guias e brinquedoteca são encontradas no eixo de Desenvolvimento Educacional e Social. Já o eixo de Infraestrutura apresenta cursos como técnico em carpintaria, portos, geodésia e cartografia e transporte aquaviário.
Outras opções não convencionais são o técnico em cervejaria (eixo de Produção Alimentícia), design de joias, fabricação de instrumentos musicais, composição e arranjo (eixo de Produção Cultural e Design), apicultura, cafeicultura, pesca (eixo de Recursos Naturais), lazer e gastronomia (eixo de Turismo, Hospitalidade e Lazer).
Na prática, algumas das formações consideradas mais atípicas existem no catálogo, mas ainda são pouco ofertadas, porque exigem infraestrutura específica (como necropsia ou cervejaria) ou atendem a nichos muito regionais (como aquicultura, floresta e transporte metroferroviário).
É consenso entre especialistas que o ensino técnico ainda precisa ser democratizado no Brasil pelos benefícios que proporciona à vida dos jovens. O estudo “Indicadores de Qualidade do Egresso do Ensino Técnico”, realizado pelos pesquisadores Sergio Firpo e Alysson Portella, do Insper, a pedido do Itaú Educação e Trabalho, mostra, por exemplo, que os jovens profissionais que cursaram ensino técnico de nível médio estão melhor inseridos no mundo do trabalho do que aqueles que apenas concluíram o ensino médio regular ou não terminaram o ensino superior.
Em um estudo da Plano CDE, a pedido do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Roberto Marinho, 77% dos jovens da rede pública dizem desconhecer o ensino técnico, mas 69% optariam por esta modalidade se tivessem conhecimento e acesso, o que demonstra a necessidade de ampliar e pluralizar a oferta.