Em coluna mensal no jornal Valor Econômico, Ana Inoue afirma que a educação profissional deve ter compromisso com as mudanças climáticas e seus efeitos
É necessário alinhar a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) com os compromissos climáticos em fóruns globais de debate para garantir o desenvolvimento do país. Esta é a reflexão que Ana Inoue propõe em sua coluna no jornal Valor Econômico, publicada na terça-feira (29/07), com o título “A educação profissional e a crise climática”.
De acordo com Inoue, mudanças tecnológicas alinhadas com agendas sustentáveis já estão inseridas no dia a dia da população, como os carros elétricos e painéis solares. Sendo assim, é importante que o mundo do trabalho esteja preparado e com profissionais capazes de operar essas e futuras tecnologias, que conheçam a crise climática emergente e possam pensar em soluções para ela. “Estamos preparados para as demandas geradas pelos problemas, soluções, negócios e necessidades, bem como para os impactos sociais relacionados às mudanças climáticas?”, reflete.
No artigo, ela ainda aborda os seis eixos da Agenda de Ação Global, apresentados pelo presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30). Objetivos como aumentar a oferta de energia renovável e reverter desmatamento de biomas requerem conhecimento técnico qualificado e reestruturação de uma cadeia produtiva. “Isso começa pela formação técnica e qualificada, especialmente das juventudes, que estão vivendo agora essa transição e têm, nela, a oportunidade de serem inseridos e se manterem dignamente no mundo do trabalho,” escreve.
Além disso, “Mais do que criar cursos técnicos isolados e desenvolver ações individuais, precisamos desenhar ecossistemas de formação e trabalho coerentes com as realidades locais e nacional, em um planejamento amplo e interdependente,” defende Inoue, afirmando que diferenças territoriais devem ser consideradas. Inoue cita dois exemplos do Piauí: uma formação na área de tecnologia, com curso técnico, ensino superior e pós-graduação, e cursos técnicos de arranjo produtivo do mel, ambos pensados também como forma de inclusão produtiva da população quilombola da região, de olho nas mudanças climáticas e oportunidades na área.
Ana Inoue relembra que populações mais vulneráveis são as mais afetadas por eventos climáticos extremos, afirmando que o empenho com a agenda climática é uma forma de justiça social. “Preparar essas populações para enfrentar e participar ativamente da transição ecológica, com profissionalização de qualidade e oportunidades dignas no mundo do trabalho nessa área é uma forma importante de promover justiça social e de fortalecimento da economia local,” afirma.
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