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Pesquisa da Fundação Itaú mostra relação de jovens com formação e mundo do trabalho

Estudos/Pesquisas

Lançada durante o evento Trampos do Futuro, na Fundação Bienal, em São Paulo, a pesquisa é uma realização do Observatório Fundação Itaú e do Itaú Educação e Trabalho

A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) ocupa um lugar cada vez mais estratégico na entrada dessa geração no mundo do trabalho. Essa é uma sinalização dos próprios jovens, conforme mostrou a pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho”, do Observatório Fundação Itaú e do Itaú Educação e Trabalho. O lançamento aconteceu no dia 21 de agosto durante o evento Trampos do Futuro, no Pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo. O objetivo do estudo é entender como os jovens de 16 a 29 anos se relacionam com trabalho, formação e futuro profissional.

Foram 1.816 entrevistas presenciais, realizadas entre 11 e 23 de maio de 2026, em uma amostra nacional representativa dessa faixa etária, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva. A etapa qualitativa reuniu ainda 16 grupos focais virtuais, com jovens de diferentes estratos socioeconômicos, aprofundando os resultados quantitativos sob a perspectiva das juventudes.

 

A formação técnica como atalho para o primeiro emprego

Os dados confirmam que, para os jovens, a Educação Profissional e Tecnológica é vista como o caminho direto entre a sala de aula e o mundo do trabalho.

●        91% consideram os cursos técnicos e profissionalizantes a forma mais rápida e eficiente de conseguir um emprego.

●        85% afirmam que o diploma é importante para conquistar uma vaga — percentual que sobe para 91% entre os jovens da região Norte.

●        90% dizem aprender mais na prática do que estudando, e 60% defendem que os programas de apoio à inserção no mundo do trabalho priorizem cursos práticos, não apenas teóricos.

●        55% apontam a experiência prática como um dos principais fatores para conseguir um bom trabalho, mesmo reconhecendo o valor da educação formal.

●        4 em cada 10 jovens já passaram por estágios ou programas de aprendizagem — e, para eles, essa vivência é a que mais contribui para a entrada no mundo do trabalho e para o futuro profissional.

Esses números indicam uma demanda clara por formações que dialoguem com a realidade do mercado: menos teoria dissociada da prática, mais pontes concretas entre escola, cursos técnicos e o primeiro emprego.

"Nessa pesquisa, os jovens sinalizaram como o preparo para o mundo do trabalho é essencial para conseguir uma oportunidade, revelando que eles aprendem mais quando conteúdos e habilidades podem ser trabalhados de forma prática. E que os cursos técnicos são a forma mais rápida e eficiente de se inserir no mundo do trabalho. Portanto, fica claro que o caminho é investir em políticas públicas e ações intersetoriais, com escola, setor produtivo e comunidade para ampliar e qualificar as oportunidades que os jovens precisam," afirma Silvana Oliveira, superintendente do Itaú Educação e Trabalho. "Isso é possível ampliando o acesso àEducação Profissional e Tecnológica de qualidade e antenada com as economias do futuro.”, ressalta.

 

Um ponto de partida desigual

A pesquisa também escancara as barreiras de entrada que a EPT ajuda a enfrentar. A falta de experiência é apontada por 49% dos jovens como a principal dificuldade para conseguir um emprego, e 96% acreditam que conhecer alguém ou ser indicado por família ou amigos é decisivo para conseguir uma vaga — 77% dos que trabalham conseguiram seu emprego atual dessa forma. Nesse cenário, cursos técnicos, estágios e programas de aprendizagem aparecem como uma via de acesso mais equitativa para quem não tem uma rede de contatos consolidada, oferecendo experiência prática e comprovável a quem está começando.

 

Perfil da juventude

Dos jovens de 16 a 29 anos, 70% trabalham ou fazem estágio, 48% estudam e 32% conciliam as duas atividades. Mesmo diante das dificuldades de entrada, o otimismo é predominante: 91% acreditam que estarão financeiramente melhor daqui a cinco anos, e 88% esperam ter uma condição financeira superior à dos pais, associando esse avanço à necessidade de seguir estudando. Ao mesmo tempo, cresce a busca por trabalho autônomo no horizonte de cinco anos (de 28% para 42%), sinal de que os jovens também repensam os formatos tradicionais de carreira, sem renunciar à formação como base para essa transição.

A pesquisa na íntegra pode ser conferida aqui.