Notícias

21 de JUNHO DE 2021

Seminário debate a importância da educação profissional para a população jovem do país

Evento virtual correalizado pelo Itaú Educação e Trabalho (IET) e Folha de S. Paulo, contou com a presença de especialistas e empresários que ressaltaram que o momento de oferecer a EPT aos jovens é agora, com o leque ampliado de formações proporcionado pelo Novo Ensino Médio

Especialistas em educação e empresários discutiram, no dia 14 de junho, a importância da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para o futuro de uma geração de jovens no Brasil e o seu papel para a retomada econômica pós-pandemia.

O debate fez parte do seminário A importância da educação profissional na retomada econômica, uma correalização do Itaú Educação e Trabalho e da Folha de S. Paulo. Dividido em dois painéis, promoveu a discussão e a análise sobre as oportunidades que a formação técnica e profissional pode oferecer aos jovens, seja no mercado de trabalho ou na continuidade dos seus estudos ao longo da vida, e de como mitigar o impacto nas juventudes de questões sensíveis como desemprego e evasão escolar, sobretudo no contexto atual da pandemia e crise econômica, com forte impacto na educação e na economia.  

Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, abriu a mesa com enfoque na “Educação profissional: subestimada nos debates pedagógicos” e destacou que o país está diante de uma grande oportunidade aos jovens, com a Lei 13.415 que implementa o novo ensino médio e define a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) entre os cinco itinerários de formação.

“É importante valorizar a EPT e a formação para o mundo do trabalho como elemento para a cidadania plena. O momento é propício para isso com a Lei 13.415, que integra a EPT ao currículo da educação básica. Os estados estão em movimento para a sua implementação. O que se anuncia é a oferta expandida de ensino técnico em todas as escolas do Ensino Médio”, afirmou Ana Inoue.

A superintendente lembrou que o Brasil vive ainda o bônus demográfico, com mais jovens do que idosos, panorama que irá se reverter até 2030, e reforçou que a situação hoje é de grande relevância para o futuro de uma geração. “Temos 88% dos jovens na rede pública, 50 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos e ainda estamos pegando o fim do bônus demográfico. O país inteiro deveria olhar para oferecer formação e caminhos para a inserção social dos jovens e para a diminuição das desigualdades”, afirmou ela.

José Henrique Paim, diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV e ex-ministro da Educação, concordou com Inoue e destacou a necessidade de impulsionar uma formação que contemple e prepare o jovem para o mundo do trabalho. “O Brasil não pode ignorar o potencial que possui e, portanto, tem de ter uma política nacional da EPT de modo que se amplie a oferta da Educação Profissional Tecnológica”, disse.

Os empresários Laércio Cosentino, presidente do conselho de administração da Totvs, e Pedro Passos, copresidente do conselho de administração de Natura & Co e cofundador da Natura, também enfatizaram a importância da integração entre educação e o setor produtivo no segmento da EPT. “Os jovens de hoje serão a mola propulsora do nosso futuro. Se não tivermos mão de obra que atenda à demanda, não vamos conseguir avançar e melhorar o ponteiro do país”, disse Cosentino, para o qual o Brasil tem 50 mil vagas na área de tecnologia que não são preenchidas por falta de mão de obra qualificada. “É urgente a integração e alinhamento de estratégia para a Educação Profissional e Tecnológica”, disse Passos.

Para Ana Inoue, que encerrou o debate, é importante a integração entre a educação e o setor produtivo no sentido de qualificar a oferta de ensino profissional com um nível de atualização que exige a velocidade da sociedade do século 21, convocando toda a sociedade a refletir sobre a formação profissional dos jovens. “Não há como pensar em um plano de desenvolvimento econômico e social para o país se não olharmos para a educação pública, que por muito tempo foi vista como sendo para pobres. Por isso, se admite que o professor não ganhe bem, que as escolas não tenham condições, se admitem coisas que são inadmissíveis. Agora estamos nos confrontando com uma situação em que temos que olhar e mudar isso”, avaliou.
 
2º painel / Oportunidade aos jovens no novo ensino médio
O segundo painel teve como tema A oportunidade no novo ensino médio, e contou com a participação de Aléssio Trindade, professor do Instituto Federal da Paraíba e ex-secretário nacional de Educação Profissional e Tecnológica; Daniel Barros, subsecretário de Educação Profissional de São Paulo; Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia da CNI e diretor-geral do Senai; e Vitor de Angelo, secretário de Educação do Espírito Santo e presidente do Consed.

Aléssio Trindade, com base em suas experiências, falou sobre a necessidade de buscar a identidade de cada rede e região para que a EPT faça sentido aos jovens: “Quando a escola consegue dialogar com a vida, ela achou o seu caminho. E o ensino técnico faz isso há muitos anos no nosso país, por meio das redes que já o ofertam”, disse.

Vitor de Angelo lembrou do desafio da implementação da reforma do Ensino Médio e do seu financiamento com o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). “Temos agora não só a chance de construir escolas de ensino técnico como de levá-lo para dentro da escola com o Ensino Médio. É um belo pontapé. O novo Fundeb também vai criar condições de financiamento com a possibilidade de dupla matrícula para a EPT”, afirmou.

Além de uma oportunidade para uma geração, Rafael Lucchesi falou sobre a vontade dos jovens de terem acesso à EPT: “Se pegarmos os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que são as informações de salários pagos no Brasil hoje, as 21 profissões mais demandadas pela indústria brasileira têm tido salários competitivos com a maior parte da média de salários de profissionais de ensino superior”, explicou, detalhando a importância também do Sistema S (termo utilizado para se referir ao grupo de instituições formado por Senai, Senac, Sesc, Sesi, Senar, Sescoop, Senat, Sest e Sebrae). “Há histórico de cooperação do Senai com os governos estaduais há décadas. É claro que, no âmbito da reforma do ensino médio, nós estamos ampliando essa interlocução, esse diálogo, no sentido de dar todo o apoio à função pública dos sistemas estaduais”, enfatizou.

O caso de São Paulo foi trazido pelo subsecretário de Educação profissional de São Paulo, Daniel Barros, que lembrou o dado de que, no estado, o percentual de alunos que optaria pela formação técnica, entre os cinco itinerários, é de 53%. “Em São Paulo, os estudantes terão oportunidade de escolher itinerários mistos, que combinam essas áreas do conhecimento, mas esse dado dá a dimensão do quanto os estudantes da rede gostariam de ser preparados para habilidades do mundo do trabalho durante essa etapa da educação básica”, disse.

Confira aqui as oito páginas do caderno especial da Folha de S.Paulo.

Termos de uso e política de privacidade