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07 de JUNHO DE 2021

FGV EESP Clear promove debate sobre educação profissional, juventude e mercado de trabalho

Setores público e privado debatem estratégicas, caminhos, soluções e exemplos para melhorar a empregabilidade do jovem brasileiro

O FGV EESP Clear, dentro do calendário da Semana Global de Avaliação, promoveu, em 31 de maio, o Webinar Educação profissional: monitorar e avaliar para superar crises, uma roda de debate com a presença de especialistas em educação profissional, mercado de trabalho e juventude, áreas afetadas pela pandemia e atual crise social e econômica. O objetivo foi discutir e buscar caminhos e soluções, com foco no monitoramento e avaliação de políticas públicas e nos exemplos dos programas Novotec e Minha chance, do Governo do Estado de São Paulo.

Oriundos dos setores público e privado, terceiro setor e da academia, o evento online contou com as participações de Daniel Barros, Subsecretário de Educação Técnica, Tecnológica e Profissionalizante do Estado de São Paulo; Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho; Carolina Bastos, vice-presidente da SAP; Almério Melquíades Araújo, coordenador de ensino médio e técnico do Centro Paula Souza, com moderação de André Portela, diretor da FGV EESP Clear.

Ana Inoue, superintende do Itaú Educação e Trabalho, iniciou o debate trazendo um pouco do cenário dos jovens brasileiros. “O Brasil só tem vaga para acolher 20% dos jovens que saem do ensino médio, ou seja, 80% da nossa juventude está fora do ensino superior. Um quadro dramático que mostra que, quando os jovens saem do ensino médio, eles não têm para onde ir e não sabem como dar sequência à sua formação profissional. E a taxa de desemprego entre esse público supera, mais do que o dobro, a taxa de desemprego da população normal brasileira.”

Outro ponto ligado à formação da juventude apontado por Ana Inoue é o atual currículo da formação básica, que exclui as aprendizagens voltadas ao mundo do trabalho. “Não há uma única informação sequer sobre como está organizado o mercado de trabalho fora da escola, ou seja, o que é CLT, o que significa empreender, como abrir uma empresa etc. Estamos falando, mais ou menos, de 15 milhões de jovens, entre 18 e 25 anos, que vão para o mercado de trabalho sem nenhum preparo. 15 milhões equivalem a duas vezes a Suíça, país que tem sete vezes o PIB Per Capita do Brasil, ou três vezes a Dinamarca, que possui cinco vezes o PIB brasileiro.”

Em se tratando da formação dos jovens para o mundo do trabalho, Inoue lembrou ainda que 68%, aproximadamente, se dá diretamente no ambiente de trabalho, considerando que existe uma parcela dos jovens que parte para a educação profissional na forma subsequente, após o ensino médio. “Ou seja, eles aprendem diretamente no mercado de trabalho, onde as condições nem sempre são as mais adequadas. A maior riqueza do Brasil são as pessoas, mas o que o Brasil vem fazendo por essas pessoas? Estamos em um momento importante no qual precisamos olhar com urgência para o futuro do mundo do trabalho, que passa diretamente por políticas públicas voltadas para uma educação profissional emancipatória de qualidade.”

Dentro da realidade atual marcada pela falta de vagas e oportunidades para os jovens, Almério Melquíades Araújo, coordenador de ensino médio e técnico do Centro Paula Souza, de forma otimista, ressaltou que, dentro do Paula Souza, “estamos caminhando positivamente, via uma parceria efetiva com a Secretaria Estadual de Educação, para que, dentro de dois ou três anos, a gente possa triplicar o número de alunos que fazem simultaneamente o ensino médio e o técnico no Estado de São Paulo”.

Daniel Barros, subsecretário de Educação Técnica, Tecnológica e Profissionalizante do Estado de São Paulo, salientou dois grandes desafios da conexão educação-trabalho quem vêm sendo trabalhados: ampliar o alcance da educação profissional para além dos muros da Etecs e ajudar a conectar a educação profissional ao setor produtivo. “Por isso nós criamos os programas Novotec e Minha Chance. Sabemos que eles não resolverão esses dois problemas, mas queremos deixar um legado para que São Paulo esteja mais bem posicionado ao atacar essas duas questões e que, sendo o estado mais rico do país, São Paulo também possa também inspirar outros estados”.

Vice-presidente da SAP, Carolina Bastos falou da parceria com o Governo do Estado de São Paulo, por meio do programa Minha Chance, voltado à capacitação do jovem com foco nas demandas da iniciativa privada. “O propósito de um programa que a SAP desenvolve internamente é o mesmo do Minha Chance, que é investir em jovens e dar melhores condições de empregabilidade, saindo de uma área de subserviços para uma área de valor agregado exigido pelo segmento de tecnologia. A pandemia atrasou um pouco o lançamento da iniciativa, mas colocamos o curso na rua. Tivemos um workshop com quase 60 professores do Centro Paula Souza, também parceiro na iniciativa, focamos nos alunos das Fatecs de diferentes cursos e a experiencia tem sido sensacional.”, ressalta.

Veja o debate na íntegra.

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