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10 de maio DE 2021

Desafios e o futuro do ensino técnico e profissional é tema de webinário da FGV

Transmitido ao vivo pelo Zoom e pelo YouTube da instituição, tema foi o quarto webinário de 2021 e trouxe convidados especiais

O Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV CEIPE) promoveu no dia 6 de maio, às 14h (horário de Brasília), o quarto webinário do calendário anual. Em pauta, o debate sobre os Desafios e o futuro do ensino técnico e profissional no Brasil.

Com mediação de Deborah Lourenço, coordenadora do FGV CEIPE, o evento contou com a participação da diretora do CEIPE, Claudia Costin; da gerente executiva do CEIPE, Tássia Cruz; da superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Ana Inoue; do subsecretário de ensino profissionalizante da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Daniel Barros; da supervisora de Educação Profissional da Secretaria de Estado da Educação do Maranhão, Josélia Castro; e da professora da UFF Danielle Carusi.

Daniel Barros, que há três anos se dedica à implantação do Novo Ensino Médio e do Ensino Técnico Profissional, lembra que o ensino técnico ainda carrega estigmas, entre eles, o de não ser valorizado, ser ainda muito industrial e repetitivo. Mas a realidade atual mostra que os estudantes têm tido uma demanda muito grande, principalmente os do Ensino Médio, por atividades relacionadas ao mundo do trabalho.

“Em todas a pesquisas realizadas com os grupos focais na Rede Estadual de Ensino de São Paulo, os alunos enfatizam que gostariam de fazer mais atividades práticas conectadas ao mercado de trabalho. Por isso essa agenda é tão importante e, na pandemia, a transição da educação para o trabalho, que já não é algo trivial, ficou ainda mais difícil.”

Trabalhar o ensino técnico e profissional, de forma remota, foi um dos desafios colocados por Josélia Castro, supervisora de Educação Profissional da Secretaria de Estado da Educação do Maranhão. Josélia lembra que a educação profissional se faz de forma integrada, ou seja, unindo teoria e prática, uma dinâmica desafiadora no contexto atual, sobretudo do ponto de vista da qualidade.

Josélia diz que a pandemia provocou a paralisação de algumas ações, mas que o estado buscou alternativas para manter a parte prática do ensino técnico de forma remota. “A pandemia nos ensinou a planejar e atender de modo mais rápido, ampliando o nosso alcance e à nossa capacidade em atender quase 80 municípios.”, reforça.

Daniellie Carusi, professora de Economia da UFF, trouxe um panorama da educação profissional, sobretudo no nível médio e técnico. Ela lembra que os jovens têm sido os mais prejudicados no momento, o que tem levado a um aumento da evasão escolar no nível médio. “Apesar dos avanços recentes de escolaridade no Brasil, um percentual alto dos jovens de 18 a 25 anos, acima de 30%, segundo dados recentes, não completou o nível médio. E ter esse percentual da juventude sem esse nível de escolaridade é um cenário muito ruim.”, coloca.

Já Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, lembra que o desafio mais importante é promover o diálogo entre as áreas da educação e do trabalho. “Por um tempo, ficou interditada a formação para o mundo do trabalho e este é um dos fatores que a gente precisa pensar, ou seja, como trazer a formação técnica para dentro da formação educacional, entendendo essa formação como algo importante para a cidadania e não como algo restritivo”, enfatiza.

Ana também chamou atenção para um ponto desafiador do cenário nacional: o fato de o Brasil não ter uma política para a juventude que não ingressará na faculdade. “80% dos jovens brasileiros, de 18 a 24 anos, não terão acesso à uma universidade por falta de vagas. Então, a pergunta que temos de fazer é uma só: qual a proposta deste país para esse contingente?”, questiona. Outro dado alarmante apontado por Ana: a taxa de desocupação da juventude brasileira é mais que o dobro se comparada à população ativa do país.

Fechando o debate, Claudia Costin, diretora do CEIPE, fez a seguinte reflexão. “O que parece fazer sentido é o que já vem apontando os maiores pensadores na educação: a aprendizagem se dá a partir da experimentação. Tanto faz se a pessoa vai fazer faculdade ou não. Do ponto de vista da ciência da cognição, é com a mão na massa que a gente aprende.”

Costin reforçou um ponto levantado por Ana Inoue. “Eu aprendo muito mais sobre a vida ao experimentar uma entrada para a vida adulta por meio da profissionalização.”

Gostou do debate? Então acesse aqui a live completa.

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